23 de fev de 2011

Obama condena violência na Líbia e defende ação mundial conjunta

NOTA: Acao conjunta, e atacar mesmo viu!


Em um breve discurso em Washington, o presidente dos EUA, Barack Obama, voltou a condenar os atos "ultrajantes" de violência do regime do ditador Muammar Gaddafi contra os civis e disse que seu país estuda várias medidas contra a Líbia --desde sanções unilaterais até ações conjuntas com outras nações.

O presidente americano condenou fortemente o "banho de sangue inaceitável" que ocorre no país após os repetidos ataques militares contra a própria população e disse que o mundo precisa "falar com uma só voz".

Obama destacou ainda que os protestos na Líbia e na região são gerados pelo próprio povo e que não têm influência alguma de Washington ou de qualquer outro país e destacou uma frase de um líbio como emblemática para caracterizar os motivos das revoltas: "só queremos viver como seres humanos".

Kevin Lamarque/Reuters
Obama disse que a violência do regime da Líbia contra os civis é "ultrajante" e viola as normas internacionais
Obama disse que a violência do regime da Líbia contra os civis é "ultrajante" e viola as normas internacionais

Entre as medidas concretas que o governo americano já tomou em reação à crise estão o alerta às suas embaixadas e consulados para dar total assistência aos americanos que tentam deixar a Líbia; o envio do sub-secretário do Departamento de Estado, Bill Burns, a diversos países da região e da Europa para debater as revoltas; e a presença de Hillary Clinton em Genebra na segunda-feira (28) para debater uma "ação multilateral" junto a outros países que integram o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.

Obama frisou ainda que a União Europeia, a União Africana, a Organização da Conferência Islâmica, além das Nações Unidas, já se posicionaram contra o regime de Gaddafi e que os EUA devem se unir a esses blocos para que uma ação conjunta seja colocada em prática.

"O mundo inteiro observa" a crise e condena as ações do regime contra seu próprio povo, concluiu.

HILLARY E PATRIOTA

As declarações de Obama ecoam o pronunciamento da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, voltou a condenar nesta quarta-feira o uso da violência contra manifestantes na Líbia e advertiu que o governo do ditador Muammar Gaddafi deverá responsabilizar-se por suas ações.

Durante coletiva de imprensa em Washington, ela afirmou que "todas as opções estão em jogo" para tentar persuadir o governo líbio a suspender o uso de violência contra os manifestantes antigoverno. No entanto, segundo Hillary, a prioridade dos EUA é proteger os cidadãos americanos em solo líbio.

"Várias opções estão sendo estudadas. Nós avaliaremos as possibilidades para dar fim à violência e tentar influenciar o governo, mas como eu disse ontem, nossa principal preocupação é garantir a segurança de nossos cidadãos", disse ainda a secretária, ao lado do chanceler brasileiro Antônio Patriota.

A secretária de Estado também destacou a necessidade de uma ação conjunta da comunidade internacional, lembrando que "muitos países têm uma relação mais próxima da Líbia do que a mantida por nós [EUA]".

Jewel Samad/AFP
Hillary Clinton posa ao lado de chanceler brasileiro Antônio Patriota; ela diz que Líbia deve assumir seus atos
Hillary Clinton posa ao lado de chanceler brasileiro Antônio Patriota; ela diz que Líbia deve assumir seus atos

Ao menos 640 pessoas morreram na Líbia nos protestos contra o regime do ditador Muammar Gaddafi desde 14 de fevereiro, anunciou nesta quarta-feira a Federação Internacional para os Direitos Humanos (FIDH).

O número representa mais que o dobro do balanço oficial do governo líbio de 300 mortos. A FIDH menciona 275 mortos em Trípoli e 230 na cidade de Benghazi, epicentro dos protestos.

Intensos tiroteios foram registrados nesta quarta-feira em Trípoli, enquanto forças leais a Gaddafi apertam o cerco na capital do país. Manifestantes antigoverno também dizem terem assumido o controle de diversas cidades, um dia depois de o mandatário ter afirmado, em discurso, que morrerá em solo líbio como "mártir".

A indignação internacional aumentou um dia depois de o ditador ter prometido defender seu regime e pedir para partidários que reprimam os manifestantes de oposição.

FORA DE CONTROLE

Após perder o controle da região leste da Líbia --onde está a cidade de Tobruk e grande parte dos campos produtores de petróleo-- o ditador Muammar Gaddafi enviou mais tropas à capital Trípoli e à região oeste do país, em meio a relatos da oposição de que ao menos uma cidade nesta parte da Líbia já estaria em seu controle. Mais de 640 já morreram no país, de acordo com grupos de direitos humanos.

Em Trípoli moradores indicaram que a presença de membros de milícias e mercenários estrangeiros contratados pelo governo aumentou consideravelmente e que as trocas de tiros nas ruas têm ficado mais violentas.

Marcelo Correa/Arte Folha

"Muitas pessoas estão com medo de deixar suas casas em Trípoli já que atiradores de milícias pró-Gaddafi estão nas ruas ameaçando qualquer um que se junte em grupos", disse o tunisiano Marwan Mohammed, logo após cruzar a fronteira com a Tunísia.

As manobras de Gaddafi, que chegam horas após dois pilotos terem se ejetado de um jato de guerra que caiu em Benghazi, são vistas pela mídia internacional como "desesperadas" e indicam que a perda de controle do país tende a aumentar.

A oposição afirma ter tomado o controle de Misrata, uma das maiores cidades da parte oeste da Líbia onde o ditador já não teria mais o poder.

Intensos confrontos também já foram registrados em Sabratha, a oeste de Trípoli, onde soldados e mercenários tentam a todo custo retirar os manifestantes que cercaram prédios do governo.

O ditador conclamou seus defensores para uma grande manifestação em seu apoio na praça Verde, em Trípoli, mas menos de 150 pessoas apareceram, carregando seu retrato e a bandeira da Líbia.

JATO DE GUERRA

Mais cedo um avião das Forças Aéreas da Líbia caiu perto de Benghazi (leste) depois que sua tripulação se recusou a obedecer as ordens de bombardear a cidade e se ejetou da aeronave --uma Sukhoi-22 de fabricação russa--, caindo em segurança em terra firme com a ajuda de paraquedas.

As informações são do jornal líbio "Quryna", que cita uma fonte militar. De acordo com um coronel de uma base aérea perto de Benghazi, os tripulantes seriam o capitão Attia Abdel Salem al Abdali e seu número dois, Ali Omar Gaddafi.

Ali Omar Gaddafi é da mesma tribo do ditador Muammar Gaddafi, os Gadhadhfa, disse Farag Al Maghrabi, morador que viu os pilotos e os destroços do jato. Al Maghrabi disse que a aeronave caiu em uma área deserta nos arredores do porto de Breqa, sem causar maiores danos.

Hussein Malla/AP
Civil líbio segura arma em comemoração diante de um míssil em base aérea abandonada em Tobruk
Civil líbio segura arma em comemoração diante de um míssil em base aérea abandonada em Tobruk

A recusa dos militares mostra que o ditador Muammar Gaddafi está cada vez mais isolado até mesmo dentro das suas Forçar Armadas. Mais cedo, oficiais do Exército líbio na zona de Al Jabal al Akhdar, no nordeste do país, anunciaram que já fazem parte da "revolução do povo", em um vídeo divulgado pelas emissoras de televisão árabes Al Jazeera e Al Arabiya.

"Nós, os oficiais e os soldados das forças armadas na zona de Al Jabal al Akhdar, anunciamos nossa união total à revolução popular", disse um porta-voz militar das Forças Armadas líbias na região. O porta-voz anunciou ainda o compromisso desses militares em trabalhar para proteger as instalações públicas e privadas na região.

Na véspera, o ministro do Interior líbio e general do Exército, Abdul Fatah Yunis, pediu demissão e incentivou as Forças Armadas a se unirem ao povo em sua luta por legítimas reivindicações, informou a Al Jazeera.


Marcelo Correa/Arte Folha

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